Neste
Dia de Todos os Santos rezamos a todos aqueles que já passaram por esta vida e
que em meio às tentações do mundo encontraram e perseveraram no caminho da
santidade. Celebramos os santos anônimos e recordamos a santidade como a nossa
vocação fundamental.
1-
Cada santo tem o seu dia, porém existem tantos santos que os dias do ano são insuficientes
para lembrá-los, nem tão pouco podemos escrever os nomes de todos os santos nos
livros litúrgicos. Em um dia como este, lembramos de todos os santos que doaram
suas vidas em prol da construção do Reino de Deus, santos que nunca terão seus
nomes inscritos nos livros oficiais da Igreja, mas que no livro de Deus estão
inscritos. São eles que formam a multidão de pé diante do cordeiro de que fala
o Livro do Apocalipse.
As
comunidades de fé e vida, ou seja, as Cebs, são sustentadas por gente simples,
em sua grande maioria pobres e, às vezes, analfabetas. São pessoas que se
derramam de amor a Deus e ao próximo, fazem coisas tão grandes aos olhos de
Deus e, o mais importante, no silêncio. Nem mesmo o padre fica sabendo de todo
o bem que esta gente faz!
Quando
vou me tornando amigo deste povo das comunidades que acompanho aqui em Itaeté
fico parado diante dos gestos de cuidado, carinho, sede de justiça, atenção,
caridade e amor para com o próximo. São os bem-aventurados de hoje.
Enquanto
escrevo este texto me vem à mente uma multidão pessoas santas, diante das quais
me curvo e admiro.
O
que me deixa inquieto é que estas pessoas são santas e nem sabem. Diante da
hierarquia da Igreja se colocam como as últimas das criaturas por que aprenderam
de nós padres que santidade é somente para uma classe de privilegiados.
Os
santos “famosos” já tem um dia para serem lembrados, por isso hoje, prefiro,
sem esquecer estes, lembrar especialmente daqueles que são santos no anonimato
de suas vidas.
2-
A liturgia deste dia é um forte convite a sermos santos. Todos podem ser
santos, ou melhor, todos são chamados por Deus à santidade. Esta deve ser a
meta de cada ser humano que peregrina nesta terra.
Santidade
não é coisa do passado, é algo presente, os santos que amanhã estarão ornando
nossas igrejas, estão vivos hoje, são pessoas de carne e osso, que tem nome e
endereço e estão trilhando os caminhos de Deus.
O
que é ser santo? É ser separado, deste modo, somente Deus é santo, pois somente
Ele é Totalmente separado.
A
partir do momento em que Deus se encarnou em Jesus, Ele deixou de ser
Totalmente separado, se juntou a nós e nos mostrou que vivendo neste mundo,
desfrutando das coisas deste mundo, podemos sim ser santos.
O
que é ser santo hoje? É viver no seu tempo, inquieto com as injustiças desta
época, atento aos clamores dos irmãos, usufruindo daquilo de bom que o tempo
atual oferece. Deste modo, ser santo é ser normal, é fazer o que todo mundo
faz.
O santo vive em um lugar
determinado, percebe como ninguém as artimanhas do diabo, tais como a fome, a
violência, as explorações, a corrupção. E percebendo isso, o que faz? Denuncia,
convida à partilha, luta pela paz, tem sede de justiça, ou seja, busca viver as
bem aventuranças. O santo é um candidato ao martírio, às incompreensões, à
difamação, à perseguição. Pois o que está errado ninguém pode dizer! Todos os
santos que hoje estão nos andores, buscaram se alimentar da Eucaristia, mas,
por serem santos, inquietos, “comeram o pão que o diabo amassou”, sofreram
torturas e até mesmo a morte! É isto o que acontece!
É fazer tudo o que os outros
fazem, mas com um tempero diferente. É fazer um pouco mais, não simplesmente em
termos quantitativos, mas qualitativo. Os santos de hoje trabalham nas
empresas, são pais e mães de família, pequenos agricultores, favelados,
estudantes, catequistas, animadores de comunidade, padres, políticos, ou seja,
pessoas normais que fazem tudo que os outros fazem, mas de um jeito diferente,
fazem com amor, com liberdade, com gratuidade.
Neste
dia de festa, peçamos a intercessão de todos os santos, conhecidos e anônimos,
para que eles nos acompanhem e nos animem na luta apor justiça e na busca da
santidade!
Pe.
Erivaldo!
