ESTE BLOG DA PARÓQUIA DE ITAETÉ MUITAS VEZES FOI USADO PARA CONTAR AS ALEGRIAS E MARAVILHAS DA CAMINHADA. HOJE GOSTARIA DE CONTAR UMA TRISTEZA: EU, PADRE ERIVALDO, FUI À COMUNIDADE SÃO JUDAS PARA CELEBRAR MISSA E NÃO A CELEBREI POR QUE O POVO SIMPLESMENTE NÃO APARECEU!
ESTA COMUNIDADE VEM HÁ ALGUM TEMPO SENDO CARREGADA NAS COSTAS POR UM GRUPO DE DUAS MULHERES (DONA NAI E BERNADETE) E UMA CRIANÇA DE 12 ANOS QUE FAZ AS CELEBRAÇÕES AOS DOMINGOS.
ESTAS TRÊS PESSOAS PREPARARAM TUDO PARA QUE A MISSA ACONTECESSE: CUIDARAM DO AMBIENTE, PREPARARAM A LITURGIA E CONVIDARAM OS FIÉIS. QUANDO O PADRE CHEGOU AS TRÊS JÁ ESTAVAM LÁ E NADA DO POVO... APÓS MEIA HORA DE ATRASO ALGUNS POUCOS GATOS PINGADOS COMEÇARAM A PENSAR EM SE ARRUMAR PARA PARTICIPAR DA MISSA. ESTA É MUITAS VEZES NOSSA REALIDADE.
RESULTADO: EM COMUM ACORDO COM AS TRÊS FIÉIS QUE LA ESTAVAM, RESOLVEMOS FECHAR O PRÉDIO E IR EMBORA. JÁ FIZEMOS MUITO POR ESTA COMUNIDADE, PORÉM O POVO FICA BRINCANDO COM COISA SÉRIA. DESTA VEZ FOI SOMENTE PARA DAR UM SUSTO, VAMOS MARCAR MAIS UMA VISITA PARA VER SE QUEREM ALGUMA COISA, CASO NÃO QUEIRAM, INFELIZMENTE TEREMOS QUE "ENTERRAR" TAL COMUNIDADE.
CHEGA UMA HORA EM QUE A PACIÊNCIA TERMINA. NÃO PODEMOS INSISTIR A VIDA INTEIRA EM SEMEAR EM TERRENO INFÉRTIL. CADA UM É LIVRE E NINGUÉM PODE SER FORÇADO A NADA, SE DEUS RESPEITA NOSSA LIBERDADE, QUEM SOMOS NÓS PARA FORÇAR ALGUÉM A ALGUMA COISA?
VAMOS FAZER O POSSÍVEL PARA OFERECER A ESTAS PESSOAS QUE QUEREM SER COMUNIDADE A OPORTUNIDADE DE SÊ-LO, POR ELAS FAREMOS O QUE FOR POSSÍVEL E AQUELES QUE PARTICIPAM SOMENTE QUANDO LHES INTERESSAM QUE ARQUEM COM AS CONSEQUÊNCIAS DE SUA FALTA DE COMPROMISSO COM DEUS.
O ENTERRO DA COMUNIDADE
Por Eduardo Machado
Numa pequena cidade,
quase uma vila do interior dessas Minas Gerais, um jovem padre assumiu a
paróquia local que há anos estava vazia. Não houve recepção alguma. Apenas uma
velha senhora, beata antiga que cuidava da igreja, ajudou na arrumação da casa
paroquial. Tudo ajeitado, uma limpeza geral e o padre colocou à porta da igreja
um aviso:
AMANHÃ,
DOMINGO, 9HS.
MISSA
PARA REABRIR AS ATIVIDADES DA IGREJA NA NOSSA COMUNIDADE.
No
dia seguinte, a velha beata e mais meia dúzia de companheiras acompanharam a
missa rezando seus terços e mal respondendo às orações do ritual.
O
padre então resolveu ir às ruas, conversar com as pessoas, conhecer melhor o
seu arredio rebanho. Por toda parte frieza e indiferença. Aqui e ali,
referências ao vigário antigo que havia “aprontado” e deixado na cidade uma
triste lembrança.
Anos
de abandono, dificuldades do bispo com os poucos padres da diocese, o comodismo
que aos poucos foi envolvendo a todos, o fato é que a maioria não via com
bons olhos a volta de um padre àquela comunidade. Na verdade todos estavam com
“um pé atrás” em relação à Igreja.
O
padre voltava desanimado para casa quando, ao passar diante de um boteco ouviu
alguém gritar em tom de zombaria:
“Êh,
sô padre, desiste que aqui a Igreja morreu!!!”
O
padre parou ao ouvir aquilo, pensou em responder, mas ao ouvir os risos de
todos apenas sorriu e continuou seu caminho. Levava no rosto uma expressão
enigmática que, nos dias seguintes, daria muito o que falar...
Pois
acontece que, dois dias depois, um cartaz à porta da igreja anunciava:
FUI
AVISADO DE QUE A IGREJA MORREU.
É
PRECISO, PORTANTO, PROVIDENCIAR O ENTERRO.
ASSIM,
CONFORME A TRADIÇÃO, FAREMOS NO PRÓXIMO DOMINGO,
ÀS
9 HORAS, UMA MISSA DE CORPO PRESENTE
E
LOGO DEPOIS SERÁ REALIZADO O ENTERRO DA IGREJA.
CONTO
COM A PRESENÇA DE TODOS.
O
VIGÁRIO.
Durante
o resto da semana não houve outro assunto na vila...
Curiosos,
todos se perguntavam e especulavam sobre o que andaria pela cabeça daquele
padre. No boteco afirmavam que ele era louco varrido, o que era bem
típico desses padres modernos.
O
fato é que, no domingo, pouco antes das 9hs. a igreja já estava cheia. Toda a
vila estava lá . Gente por todos os cantos, se acotovelando e olhando assombrados
para um caixão negro rodeado por quatro castiçais, colocado bem diante do
altar. O padre não mentira, a defunta estava lá. Murmúrios de espanto e
surpresa corriam entre todos. O caixão estava fechado.
A
curiosidade ficou dividida entre aquela cena insólita e um grupo de jovens que
tocava e cantava animadamente, convidando o povo a aprender as músicas da
missa. O padre os convidara da sua antiga paróquia e eles enchiam a igreja de
alegria com o seu canto. E tudo ficava ainda mais esquisito, com aquele cenário
de velório inundado por canções que falavam de esperança, participação,
comunidade, perdão...
Às
9 horas o padre entrou e deu início à celebração. Na liturgia da palavra foi
lido o texto da Carta de S. Paulo aos Coríntios (1Cor. 12,12-27). Falava da
Igreja como um corpo onde cada um, como os membros, tem uma função e uma
dignidade especial.
No
texto do Evangelho (Mateus 13,47-50) Jesus falava, através de uma parábola, que
a Igreja é como uma rede jogada ao mar: pesca de tudo, peixes bons e maus.
No
sermão, o padre falou de tolerância, misericórdia, perdão. Todos ouviam e
percebiam como a vida que viviam era um espelho daquelas palavras. O Rito
Penitencial tocou o coração de cada um.
A
celebração foi envolvendo a todos que, praticamente se esqueceram do caixão.
Mas ao final da Missa, após uma benção emocionada, o padre avisou: “Agora,
conforme o costume, antes do enterro, vamos nos despedir da falecida. Organizem
uma fila para passar diante do caixão”.
E
o povo, novamente agitado pela curiosidade, passou lentamente diante daquele
estranho ataúde. Cada um passava, olhava e saia com ar envergonhado.
Houve
quem risse, meio sem graça. Houve quem chorasse...
A
maioria ficou pensativa e calada...
DENTRO
DO CAIXÃO, HAVIA APENAS UM ESPELHO...























