A
liturgia de hoje nos traz uma cena de sofrimento: morreu o filho único de uma
pobre viúva e uma grande multidão acompanhava o cortejo fúnebre. Jesus estava a
caminho de uma cidade chamada Naim, com ele iam os discípulos e também uma
grande multidão.
Ao
vê-la, Jesus sentiu compaixão e disse: não chores. Aproximou-se, tocou o
caixão, e os que carregavam pararam. Então Jesus disse: jovem, eu te ordeno,
levanta-te!. O jovem então levantou-se e começou a falar.
O
que deve chamar a nossa atenção não é o milagre em si, mas o que moveu Jesus a
realizá-lo: a compaixão, a sensibilidade diante daquele que estava sofrendo.
Qual
era a situação? Naquela época a mulher era totalmente dependente do marido. Quando
viúva, passava a ser dependente do filho mais velho que era quem herdava os
bens do falecido e não a esposa. Era este filho quem ficava encarregado de
prover o sustento da mãe. O que aconteceu? Ele morreu, ela estava perdida no
mundo, sem ninguém, provavelmente iria ter que se prostituir ou mendigar para
sobreviver.
Diante
desta situação, Jesus se comoveu, pois sabia o que ela teria que enfrentar
daqui para a frente. Ele se comoveu não somente com a morte do jovem, pois ele
sabe que a morte não é o fim e sim a plenificação da vida, mas com a situação
da mãe! Talvez por isso ele vivificou o jovem para que cuidasse de sua mãe.
Na
estrada da vida, também nós encontramos muitas pessoas carregando seus
“defuntos”, sofrimentos, ilusões, cruzes. E o que fazemos? Passamos adiante por
estarmos preocupados somente com o nosso bem estar e nunca com o do próximo.
Jesus
nos ensina a ter compaixão, a sentir a dor do outro. Este evangelho é um
convite a termos em nós os mesmos sentimentos de Jesus! Sensibilidade para perceber
e disponibilidade para servir.
Nós
cristãos devemos ser mestres em sensibilidade, mestres em solidariedade, mestre
do amor, pois somos seguidores daquele que foi o Mestre dos mestres!
Certamente
Jesus devolve a vida àquele jovem não para que ele simplesmente volte a
usufruir dos prazeres desta vida, mas para que ele sirva à sua mãe! Mostra-nos
assim que o verdadeiro sentido da vida não é vivermos para nós mesmos, mas para
os outros. Quem não vive para servir, não serve para viver!
As
vezes dissemos que não ajudamos a ninguém por que ninguém nos pede ajuda. E
precisa pedir ajuda? Não está vendo que está precisando? Jesus não esperou ela
pedir ajuda, ao contrário, se antecipou, pois o maior pedido de ajuda é o
clamor do pobre que luta por seus direitos e todos os dias tem que matar um
leão para sobreviver!
Uma
coisa chama atenção: Jesus entrega o jovem novamente à sua mãe. Ao revivificar
este jovem, Jesus devolve à sua mãe a sua maior riqueza: o seu único filho!
Fico a imaginar a alegria estampada nos olhos daquela mãe que minutos antes
chorava!
Quantos
jovens estão “mortos” mesmo estando vivos. Quantas mães hoje choram a perda de
seus filhos para as drogas, para a violência. Famílias que acompanham a passos
lentos o funeral de seus filhos ainda vivos. Quantos cadáveres ambulantes
encontramos diariamente nas ruas de Itaeté. E o que fazemos?
Este
evangelho traz uma mensagem forte para quem anda abatido, depressivo, quantas
vezes nos desiludimos com a vida a ponto de querer morrer? O evangelho não
relata uma história de ressurreição, mas de reanimação. Você que se acha um
lixo, que pensa que ninguém lhe ama, que imagina que sua presença não faz a
menor diferença, ouça estas palavras de Jesus: JOVEM, EU TE ORDENO, LEVANTA-TE!
Jesus
quer transformar nossas vidas, quer nos colocar de pé! Não deixemos o desânimo
tomar conta de nossa vida! Deixemos que Jesus a transforme!
A
presença de Jesus transformou aquela realidade de morte e choro em vida e
alegria. Quando nos encontramos com Cristo, é isso mesmo que acontece conosco.
Aquele que esta morto, dominado pelo pecado, pela maldade do próprio coração,
levanta-se das trevas e passa a viver na luz! O que está deitado se levanta!
O
toque de Jesus transforma vidas. Nos levanta, nos reanima e nos põe a caminho
para uma vida doada aos irmãos, assim como foi a vida daquele jovem: doada à
sua mãe!
Pe. Erivaldo G. de Almeida
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