Nesta quinta-feira (27/02/14) aconteceu um encontro com a equipe diocesana da Comissão Pastoral da Terra (CPT) da Diocese de Ruy Barbosa. Contamos com a presença de lideranças das comunidades, Sindicato dos Trabalhadores da Agricultura Familiar e coordenadores de algumas pastorais e grupos paroquiais.
De início foi realizada uma mística e uma breve apresentação do tema da Campanha da Fraternidade 2014 que tratará do tráfico humano.
Este encontro teve por objetivo planejar as atividades no m
unicípio durante o ano de 2014.
A Chapada Diamantina é conhecida mundialmente pela sua beleza natural, Itaeté guarda um dos pontos mais bonitos e conhecidos da chapada: o Poço Encantado. As maiores e mais belas cachoeiras ficam em território itaeteense. Dois grandes rios deitam seus leitos sobre este chão e são de extrema importância para a sobrevivência da população baiana. O Rio de Una abastece vários povoados do município e deságua no Paraguaçu, rio que abastece Salvador. As grutas do município também recebem visitantes.
Toda esta riqueza natural está ameaçada, primeiro pela ação dos próprios moradores que pouco preservam, mas por ser em pequena escala destrói lentamente sem que percebam. A grande ameaça vem pela ação das mineradoras que já começaram a pesquisar os minérios presentes no subsolo.
A região não tem uma agricultura familiar forte, capaz de fazer o homem do campo produzir e viver daquilo que planta e colhe. A Cáritas diocesana, em convênio com a Petrobrás está construindo 90 empreendimentos de produção (cisternas de calçadão, barreiros e barragens subterrâneas). Embora tenhamos grandes atrativos turísticos, esta ainda é uma atividade que traz pouca renda para a população em geral. A infraestrutura é precária. Estradas são péssimas. Diante de tudo isso, pensa o homem do campo: "para que preservar? eu preciso sobreviver!". Talvez o governo não invista na região justamente para não dá condições de vida digna aos moradores e assim deixá-los vulneráveis para as falsas promessas de progresso trazidas pelas mineradoras. Progresso para quem? é esta a pergunta que precisamos responder. Qual o desenvolvimento que a longo prazo será de fato útil para o pequeno agricultor? O incentivo à agricultura familiar, à produção, industrialização de seus produtos não pode tornar estas terras produtivas? Como manter o homem do campo fazendo aquilo que ele aprendeu e mais gosta de fazer?
O desafio está lançado, o planejamento das atividades foi realizado. 2014 será um ano de conscientização e, quem sabe, a partir daí surjam projetos concretos de produção. Chega de migração. Este mal, as vezes necessário para não morrer de fome, separa famílias, explora mão de obra, acaba com a cultura, viola os direitos humanos.
O povo de Itaeté tem água doce para irrigar e onde o rio não banha vai chegando a cisterna de produção. Daqui há algum tempo não será mais necessário virar "burro de carga" das grandes empresas para sobreviver. Esta terra plantando de tudo dá. O sertão vai sim virar mar!
E o artesanato da região? esta é outra grande possibilidade de produção.
Este povo é criativo, sabe produzir, plantar e colher, é um povo de raízes profundas que artisticamente expressa sua cultura e religiosidade. Cabe-nos ajudá-los na organização para que coletivamente possam abrir portas para uma vida melhor e saudável sem que para isso precisem prostituir-se vendendo a mãe terra para ser explorada pelas mineradoras.



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